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Desmonte da Previdência Social no Brasil e suas consequências é tema de debate no FSM

A Reforma da Previdência tem preocupado muitos (as) trabalhadores (as) e aposentados (as). ” A sua aposentadoria vai acabar” foi o slogan nas lutas e manifestações para chamar à atenção da sociedade para o diálogo. Devido a isso o Sindprev/BA promoveu o debate sobre o Desmonte da Previdência Social, no Fórum Social Mundial – FSM, na manhã dessa quinta-feira (15), no auditório Chico Mendes, na Tenda da CUT – Futuro do Trabalho, na UFB (no Campus de Ondina).

A mesa foi coordenada pelos Diretores do Sindprev/BA, Edivaldo Santa Rita e Lucivaldina Brito, e composta pela advogada e especialista em Direito Previdenciário, Ana Izabel Jordão, pelo especialista em Direito Público e professor de Direito Previdenciário, Sinésio Cyrino Filho, pelo Presidente da CNTSS – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social, Sandro Alex de Oliveira e pela Secretária Executiva da CUT Nacional e coordenadora do Fórum Baiano de Agricultura Familiar, Elisângela Araújo.

Após um minuto de silêncio, em solidariedade, à vereadora Marielle Franco (PSOL – RJ), assassinada a tiro na noite de ontem (14), no Rio de Janeiro, Edivaldo Santa Rita deu início aos debates. ” É um presente para os soteropolitanos, que comemoram no dia 29 de março os 469 anos de Salvador, sediar um evento tão grandioso como esse, recebendo o mundo para dialogar políticas públicas e lutar por uma sociedade melhor”, falou. ” Houve reforma em vários outros países, mas aqui no Brasil é diferente. Aqui é o desmonte da previdência. Falar sobre a Previdência Social no Brasil é falar da resistência do trabalhador”, afirmou.

Ana Izabel Jordão ressaltou a relevância do tema e falou sobre as consequências negativas para as mulheres. ” Inicialmente a proposta para a aposentadoria era igualar a idade de 65 anos para homens e mulheres, com a desculpa de que as mulheres vivem mais que os homens. Sabe-se que a qualidade da inserção da mulher na vaga de emprego, não são os melhores postos, nem os melhores salários. Na hora da contratação é levado em consideração a condição da mulher de ser reprodutora, sendo uma violência a sua individualidade, em tratar disso em uma entrevista de emprego”, disse ela. ” Como cobrar da mulher a contribuição com o tempo igual se ela cuida da criança, uma vez que não existe políticas públicas. E para a mulher negra da comunidade é mais difícil ainda”, falou indignada.

De acordo com Sinésio Cyrinoas ações governamentais que favorecessem o desmonte da seguridade social são a desoneração da folha de pagamento, o REFIS, a não cobrança das dívidas previdenciárias das grandes empresas e a desvinculação das Receitas da União – DRU. E como consequência para a classe trabalhadora só não serão afetados os trabalhadores que tem direito adquirido. ” A aposentadoria por tempo de contribuição irá acabar. A nova aposentadoria conjugará tempo de contribuição + idade, 65 anos homem, 62 mulheres, de forma gradativa. Além disso, só poderá acumular aposentadoria e pensão, no limite de dois salários mínimos”, informou ele.

“A classe trabalhadora compra a aposentadoria mensalmente, sendo descontado na sua folha de pagamento querendo ou não, durante anos para obter o retorno no futuro, não sendo assim nenhum benefícioé dado pelo Governo, para sofrer esse ataque da reforma com a retirada de direitos dos trabalhadores”, concluiu.

Segundo Sandro Alex de Oliveira, a reforma da previdência é forte no setor público. “Por hora vencemos derrubado a proposta da previdência que estava prevista para agora, mas já temos de nos preparar para voltar a lutar. Os trabalhadores vão ter que resistir, pois o que eles querem para o setor público é o dinheiro certo para a previdência privada. É necessário debater com o povo o modelo que se quer”, declarou ele.

Elisângela Araújo reforçou o impacto dessa reforma, principalmente na vida dos trabalhadores rurais. ” Se a gestão dessa previdência tem sido esse caos, com os desvios e fraudes, esses debates têm que ser feitos em cada canto do mundo, e aqui é uma oportunidade única de debatermos para todos. O trabalhado do campo é duro, expostos às mudanças climáticas. Por uma série de razões a idade mínima para as mulheres rurais não pode aumentar se o emprego não melhorou, atingindo diretamente as regiões mais pobres do Brasil”, destacou ela. ” A Reforma da Previdência vai acabar com esse segmento de trabalhadores daqui a uns 20 anos. Querem um campo sem gente, só com máquinas para trabalhar”, afirmou.

Ao fim todos puderam tirar suas dúvidas e fazer os devidos esclarecimentos.

#ResistiréLutar

ASCOM SINDPREV/BA

Texto: Priscila Teixeira

Fotos: Luis Teixeira

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