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Sem reforma da Previdência, trabalhadores adiam aposentadoria; e você?

Com a discussão da reforma da Previdência adiada, trabalhadores que têm condições de se aposentar, mas ainda não preenchem os requisitos para receber um valor maior ou integral, estão pensando melhor antes de agendar seu pedido para parar. Especialistas dizem que é uma boa hora para se planejar (leia mais abaixo). E você, já sabe o que fazer?

Em fevereiro, o UOL contou a história da organizadora pessoal Simone Vergnhanini Aranha, 52, que estava em dúvida se pedia o benefício antes da reforma. Em janeiro deste ano, quando ainda não havia definição sobre a votação na Câmara, ela fez o agendamento no INSS, com medo de que as mudanças na legislação prejudicassem seu benefício.

Ela contribuiu por 30 anos na área de recursos humanos e já pode se aposentar por tempo de contribuição, mas não ganharia a aposentadoria integral.

Se esperar, ganha mais aposentadoria

O agendamento dela estava marcado para este mês, mas como as discussões não avançaram, ela cancelou o pedido de aposentadoria e vai esperar mais.

Pelas regras atuais, se Simone contribuir até o final de 2019, ela poderá se aposentar pela fórmula 85/95 progressiva e garantir 100% do benefício. Se tivesse mantido o agendamento, ela teria a aposentadoria por tempo de contribuição com a incidência do fator previdenciário. A redução no valor do benefício seria de cerca de 38%.

“Já que a reforma da Previdência não vai ser votada agora, eu decidi esperar. Vou tentar pedir a aposentaria com a fórmula 85/95 no final do ano que vem. Até lá, vou ficar monitorando. Se a reforma avançar, faço o agendamento e peço a aposentadoria”, diz Simone.

Esperando para aumentar a média salarial

O representante comercial Nelson Ciconi, 67, não chegou a agendar o pedido de aposentadoria, mas estava de olho em Brasília. Ele já pode se aposentar por idade, mas queria aumentar sua média salarial e se aposentar por tempo de contribuição em fevereiro do ano que vem, quando seu benefício aumentará cerca de R$ 550. Hoje, ele tem 34 anos de contribuição.

“Quando era mais novo, contribui com valores muito baixos. Isso prejudicou minha média salarial. Estou contribuindo com um valor maior agora e, pelos cálculos, vi que compensa esperar mais um ano. O meu problema não é o tempo de contribuição. É a média salarial. Com a reforma, eu tinha pensado em pedir a aposentadoria antes, mas fiquei acompanhando as notícias. Se tivesse ido para votação, teria feito o pedido.”

“Não quero perder nenhum centavo”

Quem também estava acompanhando a reforma era a técnica de enfermagem Lindalva Fonseca Rossi, 63. Assim como Nelson, ela já poderia se aposentar por idade, mas, como continua trabalhando e contribuindo, quer esperar mais para ter um benefício maior.

 Lindalva tem 26 anos de contribuição ao INSS hoje, mas trabalha em atividade prejudicial à saúde e, portanto, tem direito a contar mais anos. Por causa disso, é considerado como se ela tivesse contribuído 28 anos.

 “Se a reforma tivesse avançado, eu teria entrado com o pedido de aposentadoria antes, mas como não avançou e continuo trabalhando, vou esperar mais para me aposentar e para receber um benefício melhor. Não quero perder nenhum centavo do que eu tenho direito.”

Boa hora para planejar a aposentadoria

Para o advogado previdenciário Thiago Luchin, como as discussões em torno da reforma da Previdência foram adiadas, quem não se planejou tem a chance de fazer isso agora.

 “Quando a discussão da reforma da Previdência começou, houve aumento nos pedidos de aposentadoria. Muitos se aposentaram no momento errado e não receberam o benefício que esperavam”, diz.

“É o momento de fazer o planejamento da aposentadoria para saber se vale a pena pedir o benefício. Fazer um planejamento determina o momento preciso para ter um benefício mais vantajoso. Isso é fundamental. Em alguns casos, a pessoa já atingiu o tempo mínimo de contribuição e já pode se aposentar, mas se ela aguardar ou atingir novos requisitos, ela pode ter um benefício mais vantajoso”, diz.

A dica é procurar um especialista para fazer os cálculos ou fazer uma simulação no site do INSS de quanto tempo de contribuição tem e qual seria o valor do benefício.

Luchin afirma que quem já fez o agendamento, mas percebeu que compensa esperar, pode cancelar o agendamento no próprio INSS.

Reforma parou por causa de intervenção no Rio

A votação da reforma da Previdência estava prevista para fevereiro deste ano, mas a tramitação foi interrompida no Congresso, após o presidente Michel Temer assinar um decreto para a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

A Constituição determina que nenhuma emenda (alteração) ao seu texto pode ser feita durante uma intervenção federal.

Neste mês, o presidente Michel Temer chegou a dizer que poderá encerrar a intervenção federal no Rio de Janeiro em setembro para que o governo possa votar a reforma ainda em 2018.

Fonte: UOL – Escrito por: Thâmara Kaoru

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