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Sindprev-BA realiza debate com foco nas campanhas Novembro Azul e Novembro Negro

O Sindprev-BA, realizou na última quinta-feira, (21/11), na sede do sindicato, palestras informativas, com temas que fazem parte das campanhas que são realizadas anualmente nesse mês, referentes ao Dia da Consciência Negra e a Prevenção ao Câncer de Próstata.

O evento contou com as presenças do Prof. Altair Lira Mestre em Saúde Coletiva, Bacharel em Antropologia da Saúde e Fundador e ex-coordenador da Associação Baiana das Pessoas com Doença Falciforme – ABADFAL; Dr. Benedicto Oliveira médico Oncologista vinculado aos órgãos do Ministério da Saúde e do INSS, durante toda sua vida laboral e de Di’Mello Poeta e estudante de Filosofia.

“Estamos por nossa própria conta”, foi citando a frase de Bantu Steve Biko que o Mestre Altair Lira iniciou sua apresentação, o Mestre explicou que essa frase significa que os negros e negras na África do Sul, estavam sozinhos na luta, e que muitas vezes tinham pessoas solidárias ao movimento, mas isso por se só não bastava, pois como diria a passagem de Ângela Davis sociedade racistanão basta não ser racista, é necessário ser antirracista.

Altair Lira, conta que quando a filha nasceu com anemia falciforme que é uma doença predominante na população negra, não existiam profissionais de saúde que atuavam em relação à doença, porém se preocupavam com as pessoas que chegavam ao consultório com caráter emergencial, o mestre conta que se passou quase um século do primeiro relato da doença e a primeira política pública. É notório que a doença é predominante entre negros. Dessa maneira, visto que não existiam políticas públicas para atender pessoas com esse tipo de anemia. Decidiu fundar, então, a Associação Baiana de Pessoas com Doença Falciforme (Abadfal) e, posteriormente, a federação nacional (Fenafal). “A ideia de formar uma Politica Pública é que além de falar de uma doença, temos falar também na ideia do diagnóstico, prevenção, educação em saúde e medicamentos entre outros pontos, pois, saúde é um conjunto de ações que muitas vezes as pessoas não têm acesso.” comenta Lira.

 Na oportunidade, Lira falou sobre o racismo, sobre a dificuldade ao acesso à saúde pela população negra, demonstrando em gráficos toda a desigualdade que afeta essa população no nosso país. Falou sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e também sobre o racismo institucional. Por fim, citou vários líderes do nosso país que ao longo dos anos  lutaram e lutam para que a população negra tenha reconhecido seu direito à saúde, educação, moradia e respeito.

Seguindo a programação o Poeta Di’Mello, 23 anos, natural de Valença-BA, estudante de filosofia, contou um pouco sobre sua trajetória como poeta, seu primeiro contato com a poesia, que foi através das obras Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira.

Di’Mello falou aos participantes que apesar de ter poesias de sua autorias já feitas, ele iria declamar uma poesia first time, ou seja, uma poesia improvisada, para que houvesse uma interação maior com os ouvintes. O poeta citou em sua poesia questões referentes ao racismo:

 “(…)o meu povo foi acorrentado, enganado, traído e executado. Agente passa naquele porão que deixou marcas, meu povo mora atualmente onde você chama de favela, eu vejo um povo sofrendo sem ter o que comer, mas quando eu falo de comida, eu falo também do que a gente pode alimentar nossas cabeças para fazer pensar e fazer crescer, a barriga vazia é nossa maior luta, a mente vazia é nossa maior tortura, é nosso ponto fraco onde eles deixam retalhos e detalhes. Quando falamos em atraso, estou falando que estou correndo com os pés acorrentados, quando outros estão na minha frente sendo   bem vistos e aclamados…” Di’Mello.

Em seguida, o Dr. Benedicto Barreto médico Oncologista, falou sobre prevenção e tratamento do câncer de próstata, o doutor explicou que hoje esse assunto está sendo mais explorado e analisado, muitos homens morriam de câncer de próstata, pois, não sabiam quais eram os devidos cuidados a serem tomados.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de próstata é segundo tipo da doença mais comum no Brasil (o câncer de pele é o primeiro). O risco do câncer de próstata aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove são maiores de 55 anos. É possível justificar o crescimento nas taxas de incidência no país por conta da evolução dos métodos de diagnósticos (exames), a melhoria na qualidade dos sistemas de informação em saúde e o aumento da expectativa de vida da população.

 “Levar um homem ao consultório médico é complicado, pois ainda existe o preconceito em relação ao câncer de próstata, principalmente quando se fala do exame de toque retal. Temos que desmistificar isso, o toque retal, é muito importante, para prevenção precoce”. Explica o Dr. Benedicto.

Finalizamos nossa tarde com muita interatividade entre os participantes.

debta

ASCOM- Sindprev-BA

Texto: Dayane Santos

Fotos: Luís Teixeira

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